COMUNICAÇÃO/CNBB

Artigo de D. Francisco Biasin sobre momento atual: “Não vamos desistir do Brasil!”

Com estas palavras Eduardo Campos, candidato à Presidência da República, terminava a sua entrevista na Rede Globo na véspera do acidente aéreo do qual foi vítima fatal com os que o acompanhavam. Trata-se de um legado que os seus admiradores e amigos repetem para evocar a sua envergadura política e o seu compromisso com o País.

Neste mês de outubro, depois de meses de turbulência política e de rumos incertos na tentativa de estabilizar o país, somos chamados às urnas para eleger prefeitos e vereadores das nossas cidades. O sentimento comum que toma conta da população é de decepção, desencanto e quase de vergonha, diante do cenário nacional, em se ver representada por parlamentares e senadores que, no exercício de sua função, tomam decisões e assumem atitudes e palavreados onde o “decoro parlamentar” é pisoteado e ludibriado. Somos motivo de chacota para o mundo todo!

Na campanha eleitoral ou em assumir altos cargos públicos ressoa um patriotismo fajuto, apresentam-se programas para “salvar o Brasil”, contudo os programas e as atitudes são contrários ao bem comum do povo brasileiro porque os interesses são outros.

Desiste do Brasil e o entrega ao poder econômico e lucrativo internacional quem apresenta propostas de emenda constitucionais como a PEC 241, um ajuste fiscal devasta-dor e brutal que sacrifica, principalmente, os mais pobres. O Ministro Henrique Meirelles, que comanda esse ajuste, em entrevista à rádio Estadão no dia 01/07/2016 afirmou: “As despesas com educação e saúde são itens que (…) junto com a previdência, inviabilizaram um controle maior das despesas nas últimas décadas. Educação e saúde inviabilizam ajustes”. A intenção com a PEC 241 e outras iniciativas semelhantes parece não só a de limitar despesas, “mas de desconstruir a Arquitetura dos direitos sociais que consolidou o sistema de seguridade social da Constituição Federal de 1988 e sobretudo de eliminar o Estado Social de Direito desmontando o SUS, levando-o à falência e ao colapso total”. (cf. artigo de Dom Roberto F. Ferreria Paz – bispo de Campos RJ 18/07/2016)

Desiste do Brasil quem entrega o pré-sal ao mercado global, com a perversa intenção de submeter assim a soberania nacional aos projetos das grandes potências econômicas mundiais.

Desiste do Brasil quem quer terceirizar a saúde e a educação, não valorizando as forças culturais e morais de profissionais altamente qualificados do nosso país.

Desiste do Brasil quem por interesses econômicos trabalha para descaracterizar a cultura local, apresentando-a como retrógrada e superada diante de modelos importados do assim chamado primeiro mundo, etc.

Nós não queremos desistir do Brasil feito de gente simples, honesta, pobre, que ganha o seu pão de sofrimento na luta de cada dia e que, apesar de tudo, continua sonhando com um Brasil soberano. Não arredamos o pé da liberdade, da democracia e dos direitos sociais para que neste Brasil o reinado seja do povo.

Invoquemos Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, como o Papa Francisco convidou a fazer ao inaugurar o monumento dela nos jardins do Vaticano:

“Convido-os a rezar para que ela continue protegendo todo o Brasil, todo o povo brasileiro, neste momento triste. Que ela proteja os pobres, os descartados, os idosos abandonados, os meninos de rua. Que proteja os descartados que se encontram nas mãos dos exploradores de todo tipo. Que ela salve o seu povo, com a justiça social e o amor de seu Filho, Jesus Cristo. Ela – recordou o Papa – foi encontrada por pobres trabalhadores; que hoje ela seja encontrada, de modo especial, por todos aqueles que precisam de trabalho, de educação e por aqueles que estão privados da dignidade”.
Dom Francisco Biasin
Bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Interreligioso

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D. Orani João Tempesta, Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

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